domingo, 24 de julho de 2016


ÀG.’. D.’. G.’.A.’.D.’.U.’.

A PEDRA BRUTA
      
            Seguindo os passos da tradição-como as antigas fraternidades iniciáticas do antigo Egito, a maçonaria ainda nos dias de hoje conserva essa tradição,  e instrui seus membros através de alegorias e símbolos como nos tempos antigos, tendo estes a função de transmitir ensinamentos morais e valores, visando o contínuo aperfeiçoamento do caráter e lembrando-os da “realidade do dever” e cobrando-os a que sejam vigilantes sobre suas ações.
            Deveres estes que, têm como objetivo fazer com que o verdadeiro aprendiz maçom produza frutos, de modo que a sua consciência guiada pela verdade, pela retidão e pela justiça, seja sempre um ato em prol do bem que é Deus; pela pátria, pela família e pelo próximo.
            O constante contato com os símbolos que a Ordem Maçônica propicia é de certo modo um intimar e um convocar constante aos princípios e ao dever, convocando o maçom a assumir sua vocação de guardião e bastião do dever, num culto autentico e sincero a sacralidade da vida.  Sagrada é a vida, pois consiste a mesma em ser uma dádiva do G.’.A.’.D.’.U.’., mas  no entanto, sem a luz dos ensinamentos da maçonaria e dominada pelo vício e pelas trevas da ignorância, a existência humana se avilta e não se torna dadivosa em prol do homem e dos seus semelhantes, pois os frutos da ignorância produzem o que é mal, sendo  seu valor e seus reflexos no mundo, nada mais do que ervas daninhas.
            Um elemento imprescindível e salutar de elevação da consciência moral e do dever a ser observado por todo aprendiz maçom, é a verdade subjacente que o símbolo da pedra bruta abarca.  A pedra bruta encerra em si uma máxima moral que nos remete ao dever, e cuja finalidade é convidar o aprendiz a trilhar o caminho do aperfeiçoamento moral, eliminando as arestas do vício e da ignorância, elevando a consciência pautada no trabalho sobre si mesmo, “vencendo as paixões, submetendo a vontade” ao dever, dentro do âmbito do que é justo e honesto. É um ensinamento que deve ser observado para toda a vida, durante toda caminhada terrena trilhada pelo aprendiz maçon.
            A pedra bruta representa ainda o homem obscurecido pela ignorância e pervertido pelos valores subvertidos da sociedade profana; o homem em seu total estado de cegueira- em seu estado natural onde suas qualidades ainda estão em estado primitivo e amorfo, necessitando, portanto de serem desbastadas. Neste sentido, pode-se dizer que o interior do homem, corrompido pelos vícios e pelas paixões configura-se como uma espécie de matéria prima, onde a utilização racional do maço e do cinzel adornam o espírito humano conferindo-lhe Sabedoria, Força e Beleza na condução de seus atos.
            A pedra bruta nos remete ao compromisso do sacrifício, um compromisso perene de uma vida justa e honesta em honra ao nosso Criador. Este é nosso pacto de compromisso :  estar disposto a desbastar a pedra bruta que é nosso interior, permitindo sua transformação e reconstrução pelos princípios eternos da moral e do bem, estabelecidos pelo G.’.A.’.D.’.U.’., que pode ser bem representado pela analogia do Demiurgo - deus cultuado pelas antigas tradições- o deus sábio e criador que dá forma as coisas, trazendo a ordem no caos do interior do homem.
             A preda Bruta possui também uma relação intrínseca com os outros símbolos e representa portanto a essência do ideal que constitui o fundamento da jornada de todo aprendiz maçom; à saber: a contínua e incessante busca pelo aperfeiçoamento. A relação intrínseca que o símbolo da pedra bruta possui com os outros símbolos ( o maço, o cinzel, a pedra polida e a escada de Jacó ) é justamente esse seu caráter de fundamento, haja vista que para atingir um verdadeiro estágio de elevação espiritual-representado pela pedra polida -faz-se necessário fazer uso dessas ferramentas ( o maço e o cinzel) de forma reflexiva, útil e proveitosa sobre a pedra bruta- o coração do maçom- a fim de que ele possa galgar gradativamente os degraus da perfeição e da transcendência espiritual representados pela escada de Jacob.
             Em suma, podemos dizer que a pedra bruta sinaliza o caminho da morigeração, do aperfeiçoamento moral que deve ser uma constante na vida de uma maçom aprendiz e até mesmo após suas elevações durante a caminhada.
             Assim fizeram os antigos: Abel, Noé, Abrahão, Enoch e Moisés como consta no Livro da Lei, assim faremos nós ao assumirmos tal empresa corroborando assim, através de nossos passos o respeito ao testemunho dado pelo Criador: andar de acordo com os ditames da razão e da verdade, tendo sempre em vista a pedra polida como modelo e ideal emblemático-sagrado da nossa vida.


Will Jackson Santos de Oliveira, Apr.’. M.’. Cad. 3.818 da
A.’.R.’.L.’.S.’.  Eliezer Sá Peixoto Nº29  Oriente de Rio Largo/Al., jurisdicionada a Mui e Respeitável Grande Loja do Estado de Alagoas - GLOMEAL)

Referências:
 Ritual de Aprendiz - Rito Escocês Antigo e Aceito, 2012.


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