ÀG.’.
D.’. G.’.A.’.D.’.U.’.
A busca da verdade
Neste
trabalho de segunda instrução do Grau de Companheiro Maçon, pretendo abordar de
forma breve sobre a aventura humana na busca da verdade, para tanto, tomarei
como base um trecho da página 17 do Ritual de Companheiro Maçon ( ano 2012) que
assim reza:
“ A Doutrina Iniciática, cujo conhecimento está reservado
aos que não param na superfície e sabem se aprofundar”
Tal trecho a meu ver, elenca de forma
brilhante o movimento interior do homem em busca da verdade, sua aventura em
aprofundar-se nos mistérios da vida, saindo da superficialidade do saber em
direção aos arcanos do conhecimento.
Desde os primórdios da filosofia, o homem
empreende um grande esforço na busca da verdade. Tal busca inicia-se com os
filósofos pré-socráticos, que tinham como principal objetivo compreender a
origem da natureza, e sua própria origem. A ferramenta a qual se utilizaram foi
a formulação de um discurso cuja base fosse a própria razão, pretendendo dessa
maneira abrir mão das explicações míticas sobre a origem do mundo, difundidas
pela literatura dos poetas e pela Teogonia grega.
A
princípio, os primeiros filósofos empreenderam seus esforços no sentido de
encontrar uma substancia etérea, um principio fundamental originador da
multiplicidade das coisas e causa de todas elas. No entanto, com Sócrates, a busca da verdade passou a concentrar-se
na univocidade do ser, em encontrar a essência da verdade no discurso, na
linguagem, cuidando que a verdade pudesse ser atingida através da metodologia
socrática, em sua maiêutica.
Na idade média, a filosofia grega uniu-se
ao cristianismo, tentando encontrar respostas as lacunas da teologia cristã
sobre a natureza de Deus, a origem do Universo, a divindade de Cristo, a imortalidade
da alma, etc...
Na modernidade, o racionalismo Aristotélico
ressurge com mais força, através do movimento Iluminista e a reformulação das
ciências com René Descartes, porém a crítica a fé na infalibilidade da razão
cresce e a racionalidade do homem moderno é afrontada, com mais vigor com
Immanuel Kant, que questiona os fundamentos do conhecimento e as possiblidades
de conhecer. Mas Friedrich Nietzsche por seu turno, coloca o problema de modo peculiar, tentando
resolver a tensão entre ser e devir, e a partir da contradição e falta de
sentido do mundo, resgata em parte, a ideia de Heráclito sobre a essência do
mundo e das coisas, os entes cognoscíveis.
A tradição filosófica sempre encontrou amparo
na razão para descrever algo sobre o mundo tendo em vista que a razão sempre foi privilegiada em detrimento
dos sentidos, o sensitivo no humano foram por muito tempo considerados como
fonte de enganos.
Na esteira de Nietzsche , o corpo é a
grande razão, é ele quem melhor apreende a realidade do mundo através da
experimentação, assim a razão seria uma ferramenta secundaria de corroboração
das impressões fornecidas pelos sentidos. Caberia a razão apenas conceituar
tais percepções e organiza-las. Ainda, segundo o filósofo alemão, as impressões
vertidas em conceitos, jamais poderiam descrever com fidelidade a
essencialidade das coisas, mas apenas meras representações conceituais,
criação, ilusão.
Nietzsche defende que nenhum sistema
filosófico consegue dar conta, de modo impecável de qualquer questão, seja ela
qual for, nem mesmo as questões de cunho lógico. O ser ou essência das coisas é
inatingível, as palavras são meras ferramentas auxiliares que tentam traduzir
nossas apreensões das coisas. As coisas são devir, elas nunca permanecem a
mesma, o mundo todo é essencialmente devir, está em constante mudança, de modo
que não seria possível que um fato ocorra igualmente, se repetindo com a mesma
intensidade; na realidade, fenômenos e apreensões não se repetem jamais, pois
são independentes e peculiares. O que fazemos na realidade são comparações
entre um fenômeno e outro, através de uma relação de causa e efeito, tentando
inútil e ardilosamente burlar o devir das coisas.
O cerne da critica de Nietzsche ao
conhecimento, funda-se na ideia de que a verdade, implica em uma perspectiva,
em uma possibilidade de se afirmar sobre algo, considerando que aquilo sobre o
que afirmamos pode vir a ser vencido pelo devir do mundo, mesmo os fenômenos da
natureza ( a gravidade por exemplo), por mais regulares que sejam, são
passíveis de mudança e por consegüinte sujeitos a que sejam reformulados, tudo
o que cientificamente possa ser afirmado sobre eles.
O devir do mundo é em essência o mundo como
movimento, tudo em constante mudança, o mutatis
mutandis que constitui o ser do mundo. Tentar encontrar a verdade implica
numa busca pelo sentido do Ser, um sentido absoluto, universal, que justifique
o mundo, que lhe forneça uma compreensão total do mundo, seja do ponto de vista
da ética, da política, da arte ou da filosofia.
Contudo, Nietzsche nos chama a atenção no
intuito de nos advertir que a maior verdade e a mais necessária são as verdades
relativas a vida. De acordo com ele, a existência humana proporciona ao homem um
privilegio singular e ímpar de experimentar o mundo; experiência-lo da maneira
mais intensa possível, sem dogmatismos, vivendo o agora como se fosse um
instante eterno.
Nesse sentido, o modo de vida defendido pelo
filósofo de Röcken faz com que a vida
seja vivida na eternidade de cada instante. Sob a custódia de uma mente livre,
que não se fecha em um sistema filosófico cujas premissas arrebatem o livre
pensamento, a criticidade e minem a inventividade humana, tornando-o presa
fácil do pensamento condicionado.
Nietzsche ousadamente, retoma a essência da
filosofia e seu objetivo: tornar o homem um amante da sabedoria. Os filósofos
gregos entendiam a filosofia não como uma disciplina de caráter meramente
especulativo, que visa objetiva e simplesmente a aquisição curiosa de
informações, mas ao contrario, eles entendiam a filosofia como uma atitude de
inquietação e constante busca pelo conhecimento enquanto alimento da alma,
enobrecendo o homem e o tornando mais consciente de suas limitações,
respeitando os deuses e as tradições.
O próprio significado da palavra filosofia: ( gr. philos+ sophia) encerra em si, o sentido de caminho, de busca, de disposição
do espírito, de uma busca em direção a verdade, auxiliado pelo farol da razão, mas
nunca uma busca com fim objetivo de esgotar-se, tendo em vista que o
conhecimento da verdade absoluta e da totalidade do mundo só pertence aos
deuses, de acordo com a própria definição de Pitágoras de Samos.
A ideia de que a razão humana não é
plenipotenciária está ligada a filosofia desde os primórdios, os primeiros
filósofos entenderam que o conhecimento da essência de todas as coisas ou a
totalidade delas só poderiam ser apreendido por um ente divino, cabendo ao
homem apenas amar a sabedoria, mas com o passar do tempo, este sentido
originário foi esquecido e a filosofia assumiu por um longo período uma
essência doutrinaria, positivista.
A crítica nietzscheana a razão e ao
conhecimento tem como ponto fulcral a falibilidade da razão, as limitações
humanas, e a busca insensata de um homem finito, pelo universal e o absoluto.
Nesse sentido, a verdadeira sabedoria seria para Nietzsche, o reconhecimento
pelo homem, de suas próprias limitações,
a consciência de si, do quanto é pequeno diante da grandeza do mundo, da
magnitude da natureza em sua totalidade e da divindade.
Will Jackson Santos de Oliveira, COMP.’. M.’. Cad.
3.818 da
A.’.R.’.L.’.S.’.
Eliezer Sá Peixoto Nº29 Oriente
de Rio Largo/Al., jurisdicionada a
Mui e Respeitável Grande Loja do Estado de Alagoas - GLOMEAL)
Referencias:
http://filosofandosc.blogspot.com.br/2013/03/a-origem-da-palavra-filosofia.html
Ritual de Companheiro – Rito Escocês Antigo e Aceito,
2012. p.74
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