quinta-feira, 25 de maio de 2017

A busca da verdade

ÀG.’. D.’. G.’.A.’.D.’.U.’.

A busca da verdade
   
     Neste trabalho de segunda instrução do Grau de Companheiro Maçon, pretendo abordar de forma breve sobre a aventura humana na busca da verdade, para tanto, tomarei como base um trecho da página 17 do Ritual de Companheiro Maçon ( ano 2012) que assim reza:
“ A Doutrina Iniciática, cujo conhecimento está reservado aos que não param na superfície e sabem se aprofundar”
    Tal trecho a meu ver, elenca de forma brilhante o movimento interior do homem em busca da verdade, sua aventura em aprofundar-se nos mistérios da vida, saindo da superficialidade do saber em direção aos arcanos do conhecimento.
    Desde os primórdios da filosofia, o homem empreende um grande esforço na busca da verdade. Tal busca inicia-se com os filósofos pré-socráticos, que tinham como principal objetivo compreender a origem da natureza, e sua própria origem. A ferramenta a qual se utilizaram foi a formulação de um discurso cuja base fosse a própria razão, pretendendo dessa maneira abrir mão das explicações míticas sobre a origem do mundo, difundidas pela literatura dos poetas e pela Teogonia grega.
    A princípio, os primeiros filósofos empreenderam seus esforços no sentido de encontrar uma substancia etérea, um principio fundamental originador da multiplicidade das coisas e causa de todas elas. No entanto,  com Sócrates, a busca da verdade passou a concentrar-se na univocidade do ser, em encontrar a essência da verdade no discurso, na linguagem, cuidando que a verdade pudesse ser atingida através da metodologia socrática, em sua maiêutica.
    Na idade média, a filosofia grega uniu-se ao cristianismo, tentando encontrar respostas as lacunas da teologia cristã sobre a natureza de Deus, a origem do Universo, a divindade de Cristo, a imortalidade da alma, etc...
    Na modernidade, o racionalismo Aristotélico ressurge com mais força, através do movimento Iluminista e a reformulação das ciências com René Descartes, porém a crítica a fé na infalibilidade da razão cresce e a racionalidade do homem moderno é afrontada, com mais vigor com Immanuel Kant, que questiona os fundamentos do conhecimento e as possiblidades de conhecer. Mas Friedrich Nietzsche por seu turno,  coloca o problema de modo peculiar, tentando resolver a tensão entre ser e devir, e a partir da contradição e falta de sentido do mundo, resgata em parte, a ideia de Heráclito sobre a essência do mundo e das coisas, os entes cognoscíveis.
    A tradição filosófica sempre encontrou amparo na razão para descrever algo sobre o mundo tendo em vista que  a razão sempre foi privilegiada em detrimento dos sentidos, o sensitivo no humano foram por muito tempo considerados como fonte de enganos.
    Na esteira de Nietzsche , o corpo é a grande razão, é ele quem melhor apreende a realidade do mundo através da experimentação, assim a razão seria uma ferramenta secundaria de corroboração das impressões fornecidas pelos sentidos. Caberia a razão apenas conceituar tais percepções e organiza-las. Ainda, segundo o filósofo alemão, as impressões vertidas em conceitos, jamais poderiam descrever com fidelidade a essencialidade das coisas, mas apenas meras representações conceituais, criação, ilusão.
    Nietzsche defende que nenhum sistema filosófico consegue dar conta, de modo impecável de qualquer questão, seja ela qual for, nem mesmo as questões de cunho lógico. O ser ou essência das coisas é inatingível, as palavras são meras ferramentas auxiliares que tentam traduzir nossas apreensões das coisas. As coisas são devir, elas nunca permanecem a mesma, o mundo todo é essencialmente devir, está em constante mudança, de modo que não seria possível que um fato ocorra igualmente, se repetindo com a mesma intensidade; na realidade, fenômenos e apreensões não se repetem jamais, pois são independentes e peculiares. O que fazemos na realidade são comparações entre um fenômeno e outro, através de uma relação de causa e efeito, tentando inútil e ardilosamente burlar o devir das coisas.
    O cerne da critica de Nietzsche ao conhecimento, funda-se na ideia de que a verdade, implica em uma perspectiva, em uma possibilidade de se afirmar sobre algo, considerando que aquilo sobre o que afirmamos pode vir a ser vencido pelo devir do mundo, mesmo os fenômenos da natureza ( a gravidade por exemplo), por mais regulares que sejam, são passíveis de mudança e por consegüinte sujeitos a que sejam reformulados, tudo o que cientificamente possa ser afirmado sobre eles.
    O devir do mundo é em essência o mundo como movimento, tudo em constante mudança, o mutatis mutandis que constitui o ser do mundo. Tentar encontrar a verdade implica numa busca pelo sentido do Ser, um sentido absoluto, universal, que justifique o mundo, que lhe forneça uma compreensão total do mundo, seja do ponto de vista da ética, da política, da arte ou da filosofia.
    Contudo, Nietzsche nos chama a atenção no intuito de nos advertir que a maior verdade e a mais necessária são as verdades relativas a vida. De acordo com ele, a existência humana proporciona ao homem um privilegio singular e ímpar de experimentar o mundo; experiência-lo da maneira mais intensa possível, sem dogmatismos, vivendo o agora como se fosse um instante eterno.
   Nesse sentido, o modo de vida defendido pelo filósofo de Röcken  faz com que a vida seja vivida na eternidade de cada instante. Sob a custódia de uma mente livre, que não se fecha em um sistema filosófico cujas premissas arrebatem o livre pensamento, a criticidade e minem a inventividade humana, tornando-o presa fácil do pensamento condicionado.
    Nietzsche ousadamente, retoma a essência da filosofia e seu objetivo: tornar o homem um amante da sabedoria. Os filósofos gregos entendiam a filosofia não como uma disciplina de caráter meramente especulativo, que visa objetiva e simplesmente a aquisição curiosa de informações, mas ao contrario, eles entendiam a filosofia como uma atitude de inquietação e constante busca pelo conhecimento enquanto alimento da alma, enobrecendo o homem e o tornando mais consciente de suas limitações, respeitando os deuses e as tradições.     
    O próprio significado da palavra filosofia: ( gr. philos+ sophia) encerra em si,  o sentido de caminho, de busca, de disposição do espírito, de uma busca em direção a verdade, auxiliado pelo farol da razão, mas nunca uma busca com fim objetivo de esgotar-se, tendo em vista que o conhecimento da verdade absoluta e da totalidade do mundo só pertence aos deuses, de acordo com a própria definição de Pitágoras de Samos.
    A ideia de que a razão humana não é plenipotenciária está ligada a filosofia desde os primórdios, os primeiros filósofos entenderam que o conhecimento da essência de todas as coisas ou a totalidade delas só poderiam ser apreendido por um ente divino, cabendo ao homem apenas amar a sabedoria, mas com o passar do tempo, este sentido originário foi esquecido e a filosofia assumiu por um longo período uma essência doutrinaria, positivista. 
    A crítica nietzscheana a razão e ao conhecimento tem como ponto fulcral a falibilidade da razão, as limitações humanas, e a busca insensata de um homem finito, pelo universal e o absoluto. Nesse sentido, a verdadeira sabedoria seria para Nietzsche, o reconhecimento pelo homem,  de suas próprias limitações, a consciência de si, do quanto é pequeno diante da grandeza do mundo, da magnitude da natureza em sua totalidade e da divindade.



Will Jackson Santos de Oliveira, COMP.’. M.’. Cad. 3.818 da
A.’.R.’.L.’.S.’.  Eliezer Sá Peixoto Nº29  Oriente de Rio Largo/Al., jurisdicionada a Mui e Respeitável Grande Loja do Estado de Alagoas - GLOMEAL)



Referencias:

http://filosofandosc.blogspot.com.br/2013/03/a-origem-da-palavra-filosofia.html

Ritual de Companheiro – Rito Escocês Antigo e Aceito, 2012. p.74

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